Atenção, esse artigo não é uma dica de investimento, apenas um relato da minha jornada até o momento.

Após garantir um reserva de emergência, o próximo passo é diversificar os investimentos. Nessa era de excesso de informação com tantas opções de investimentos (e gente oferecendo produtos, ativos e cursos) discorro aqui sobre a minha caminhada até o momento.

Imóveis

“Quem casa quer casa”, uma frase tão simples e a mais pura a verdade, quando se inicia um casamento a primeira coisa que você deseja é um lugar para morar, dividir o dia-a-dia com a pessoa que você escolheu passar o resto de sua vida. Mas eis que surge a primeira dúvida do investidor…

Comprar ou Alugar?

Fora toda análise financeira se compensar alugar ou comprar, se você ou seu cônjuge não possuem nenhum imóvel no nome de vocês, acho totalmente válido comprar. Ao meu ver a casa ultrapassa a questão financeira de “melhor ou pior”, é uma questão de segurança, um imóvel que você possui em seu nome, é algo bem ilíquido sim, e isso é uma vantagem, evita a propensão de você fazer merda ou tomar uma decisão errada e ficar sem uma moradia.

Agora, se você é solteiro, adie essa decisão, talvez você queira se assentar em outra cidade, estado ou país, ou viver como nômade, nada de errado como isso. Só acho que para quem possui um cônjuge e/ou filhos, a segurança é algo mais valioso que algumas porcentagens a mais no CDI.

Mas voltando a análise financeira, quase sempre alugar é melhor que comprar. Há exceções: comprar na planta, comprar e reformar, terreno valorizar, taxa fixa no financiamento do imóvel que seja inferior a inflação ou a SELIC do período. Tudo isso pode fazer com que a compra seja uma ótimo investimento, mesmo contabilizado a depreciação do imóvel e taxas.

Automóveis

Com 19 anos comprei minha primeira Moto 0 km, vendi 9 anos depois pelo mesmo preço que ela custava à vista (olha a inflação aí). Só vendi por causa da pandemia do COVID, minha vida mudou com o Home Office e não precisei ir até o escritório diariamente. A economia da moto é incrível, fácil de estacionar, economiza tempo. Problemas? Tem claro, chuva, frio, segurança física. Basta você balizar isso.

Carro ainda é uma necessidade no meu dia-a-dia, depois que eu vendi a moto ainda mais. Eis aqui uma dica, na curva da banheira, o ponto doce para comprar um carro seminovo é entre 3 à 7 anos, comprando por aí, você deve conseguir manter esse carro por 10 anos tranquilamente, depois desse período é onde os problemas com a manutenção começam a surgir.

Eu comprei carros bem mais antigos que isso, de 15 à 20 anos rs. Primeiro porque estava aprendendo a dirigir ainda, então qualquer batida, não doía tanto no bolso e nem no coração. Segundo porque eu queria comprar à vista e não pagar o seguro, logo eu estava correndo vários riscos.

Riscos

Viver é se arriscar, você deve estar ciente de todos os riscos que toma diariamente ao sair de casa e mesmo assim não deixar isso te paralisar, as coisas vão acontecer, sejam elas boas ou ruins, se você quiser mitigar isso, vai ter que pagar!

“Tenho medo de me machucar de moto”, compre um carro. \($ *"Tenho medo que roubem meu carro"*, pague um seguro.\)$

No caso acima, quando comprei meus carros e não coloquei seguro, mitiguei o risco colocando uma câmera de segurança em frente de casa, hoje moro em condomínio, então fico mais tranquilo, lógico que ainda estou vulnerável quando sair de casa, mas é um risco que estou disposto a correr devido ao valor e idade do carro. Logo, se for comprar um carro naquele ponto doce, vai sair mais caro e talvez acima da sua renda, portanto, nesse cenário, vale a pena assumir um seguro, ainda mais se ele não passar de 10% do valor do veículo no mercado.

Investimentos

Pronto, você tem um meio de transporte (ou não), você tem uma casa (ou não), e agora sobrou um dinheiro para investir, onde começar?

Reserva de Emergência

Qualquer coisa que seja CDI 100%, líquido, Tesouro direto selic vai bem aqui, sem stress. 6 à 12 meses do seu salário líquido.

Conhecimento

Não invista no que você não sabe. Conhecimento é um único ativo inconfiscável.

Diversifique

Não coloque todos os ovos na mesma cesta. A diversificação é uma proteção contra a ignorância. Não tem como você prever o futuro e nem saber de tudo o tempo todo.

Não pulverize

No começo, coloque um pouco da sua reserva no ativo que você está aprendendo. Após ganhar confiança e ver que o ativo é bom, aumente sua posição. Aqui vai um regra MINHA, use e modifique se achar interessante. De forma a não pulverizar minha carteira e nem concentrar ela, eu criei um teto e um piso para meus investimentos.

Limite a quantidade de ativos

Teto é 20% e piso de 5%, todos os ativos na minha carteira devem ser representado dentro dessa porcentagem. Por exemplo, 20% da minha carteira deve estar indexado ao IPCA mais alguma porcentagem, para eu ter um ganho real acima da inflação. Dentro desse 20% eu posso ter vários ativos, LCI, LCA, CRI, CRA, Tesouro IPCA etc, desde que não ultrapasse 20% que eu defini. Outro cenário seria uma ação, quero 5% da ação ABCD3 (por exemplo), posso ter 2,5% de ABCD3 e 2,5% de ABCD4, desde que fique dentro da margem de 5% no total. Com isso, eu posso ter de 5 à 20 estratégias de investimentos na minha carteira.

Renda Fixa

Gosto da estratégia do Cerbasi, de colocar a porcentagem em renda fixa de acordo com sua idade + algum valor. No meu caso eu coloco 30 + 10 = 40%. No fim acabo naquele velho mantra do 60/40 da carteira de investimento, 60% em renda variável e 40% e renda fixa. Claro que isso varia de perfil para perfil, mas eu fico confortável nessa alocação.

Ações ou ETFs

Existem várias opções na renda variável, FIIs, Ações, ETFs etc. Seguindo uma visão do JL Collins, Buffet e John Bogle, acho ETFs uma ótima estratégia de exposição a renda variável. Dos 60% em Renda Variável, 40% (2/3) estão em ETFs. Os outros 20% gosto de apostar (sim, é aposta, se quiser investir mesmo fica no ETF) em boas empresas com boas gestão e um portfólio diversificado. Tenho também alguns FIIs, gosto da renda mensal e do pseudoaluguel, tem um efeito psicológico muito bom.

Psicologia

Muitos se perdem nas contas na hora de investir, qual papel rende mais? qual tem menor volatilidade? etc. Pouco se fala do aspecto psicológico, além de não vender na baixa e não comprar na alta. Dinheiro (primeira vez que uso essa palavra no artigo), tem um efeito psicológico muito forte nas pessoas. A ausência dele causa frustração, tristeza, brigas, o excesso causa medo, avareza, ressentimento.

Gosto da ideia de casa própria pela questão da segurança psicológica que isso trás. Gosto da ideia de FIIs com proventos mensais, pelo reforço positivo que isso gera para o investidor. Podem não ser tão efetivos financeiramente, mas no meu caso, são efetivos psicologicamente. Os investimentos podem afetar o seu bem estar se assim você deixar, e essa foi sempre a minha busca, investir de forma que eu consiga dormir.

Sono

Colocar o travesseiro na cabeça e dormir, sem preocupações com a flutuação de um ativo, sabendo que sua carteira está bem protegida e que as flutuações do mercado não importam, para mim é esse o objetivo de montar uma carteira e investir.

Se você não conhece alguns dos nomes citados aqui, procure, pesquise e estude. Mas lembre-se que a única forma de enriquecer de fato é… trabalhando.

Trabalho

Eis o segredo da enriquecer, trabalhar, esqueça a bolsa, dificilmente você ficará rico com ela, mais fácil ganhar uma gastrite no processo. Naval, no podcast How To Get Rich, explica melhor e sintetiza isso numa frase.

“Aplique conhecimento específico com alavancagem”

Mesmo assim, trabalho e estudo são as únicas formas de conseguir isso. Por isso que, se o investimento não for parte do seu trabalho, não perca muito tempo com isso, gaste seu tempo estudando coisas que aprimore você como profissional, empreendedor ou pessoa.

Até mais.